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SESI tem dois projetos selecionados para a maior feira científica júnior do país

Editoral: Educação

Dois projetos de iniciação científica da Rede SESI de Educação foram selecionados para a 18ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), que será realizada com transmissão pela internet, de 23 de março a 3 de abril, pela Universidade de São Paulo (USP). O evento é a maior feira científica júnior do Brasil. 

 

Participam da 18ª edição da Febrace 345 projetos finalistas, de 27 Unidades da Federação, com a participação de 761 estudantes e 510 professores do ensino fundamental, médio e técnico, de 295 escolas. A região Nordeste é representada por 25 projetos, dentre eles, os das escolas SESI Djalma Pessoa e Reitor Miguel Calmon. 

 

O projeto da Escola SESI Djalma Pessoa foi desenvolvido pela estudante do 3º ano, Gabriela Moraes Santana, na área de Ciências Biológicas. A partir da casca de ovo, ela conseguiu extrair um material para reduzir o custo da fabricação de próteses dentárias. Trata-se do projeto inscrito sob o nome Pônticos Dentários Confeccionados com Hidroxiapatita Produzida a Partir da Casca de Ovo da Gallus Gallus Domesticusorientado pelos professores Marcelo Barroso Barreto e Elbert Reis. Gabriela conquistou a vaga ao ser escolhida pela comissão científica do Encontro Jovens Cientistas, realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), vencedora do Prêmio Jovem na Ciência 2019.  

 

Outro projeto selecionado para a Febrace foi o de Mapeamento das Áreas de Vulnerabilidade em Encostas no Bairro de Bom Juá em Salvador, que será apresentado pelas estudantes: Aizile Santos de Jesus, Anne Meire Ribeiro Cardoso Santos e Cecília Damasceno dos Santos Rego, sob a orientação do professor Anderson dos Santos Rodrigues.  

 

O projeto utiliza uma Antena Quadrifiliar Hélix para contatar quatro satélites meteorológicos que orbitam a Terra, captando imagens da superfície e atmosfera de Salvador, em especial, do bairro de Bom Juá, foco da pesquisa. Além deste monitoramento, foi montada uma estação meteorológica que recebe dados climáticos. Com estas informações, é possível fazer previsões sobre o risco de deslizamento de encostas e alagamentos. 

 

O caminho seguido pela equipe da Escola SESI Reitor Miguel Calmon foi um pouco diferente. Eles se inscreveram diretamente para a seleção da Febrace e concorreram com mais de três mil projetos de todo o Brasil. Destes, 300 foram selecionados, sendo 59 da área de humanas, nos quais se inclui o projeto da área de Geografia da escola do SESI. 

 

  

INICIAÇÃO CIENTÍFICA 

As escolas do SESI têm atualmente em andamento mais de 40 grupos de pesquisa e aproximadamente 500 estudantes envolvidos em projetos de iniciação científica nas diversas áreas do conhecimento. O SESI Bahia incentiva seus estudantes a investirem em pesquisa, utilizando a infraestrutura das escolas da rede, todas dotadas de laboratórios voltados para as áreas de humanas e de exatas. A novidade é que em 2020 a Gerência de Educação do SESI lançará um edital interno que prevê a oferta de 50 bolsas de iniciação científica, distribuídas entre as escolas do SESI na capital e interior. Alguns estudantes da rede também são contemplados com bolsas do CNPQ, obtidas por aqueles que são premiados em feiras de ciências. 

   

  

EDUCAÇÃO: Estudante usa casca do ovo na produção de próteses dentárias mais baratas 

  

Projeto de iniciação científica da Escola SESI Djalma Pessoa será apresentado durante a 18ª Febrace  

 

 

 

A descoberta do gosto pela ciência surgiu ainda no ensino fundamental, mas foi na Escola SESI que Gabriela Moraes Santana teve a oportunidade de ampliar seu conhecimento no laboratório de Ciências Biológicas. A estudante do 3º ano da Escola SESI Djalma Pessoa, Gabriela Moraes Santana, diz que está realizando um sonho ao representar a instituição na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace) realizada pela Universidade de São Paulo. 

 

“Foi uma grande surpresa ter sido selecionada”, conta a estudante, que já decidiu que irá seguir uma carreira na área de saúde, voltada para a pesquisa científica. O projeto da estudante – Pônticos Dentários Confeccionados com Hidroxiapatita Produzida a Partir da Casca de Ovo da Gallus Gallus Domesticus – consiste em extrair hidroxiapatita da casca de ovo e produzir um agregado que pode ser uma solução bem mais barata do que a porcelana usada na fabricação de próteses dentárias.  

 

Orientador da estudante, o professor Marcelo Barroso Barreto revela que a proposta desenvolvida por Gabriela tem um forte cunho social. “Temos no Brasil 72% da população que não tem acesso a prótese dentária por conta do custo e esta pesquisa pode ajudar a encontrar uma solução mais barata e que amplie o acesso a pessoas de baixa renda”, revela.  

 

O professor lembra ainda que o projeto de Gabriela foi desenvolvido dentro da linha de pesquisa Ambiente Vivo e é uma iniciativa multidisciplinar que envolve as disciplinas de Biologia, Química, Física e Sociologia. Na Febrace, a estudante irá demonstrar as fases do projeto, desde a extração da substância da casca do ovo até a produção da prótese. 

 
   

EDUCAÇÃO: Projeto de monitoramento do tempo ajuda a prever deslizamento de encostas em áreas de risco em Salvador 

 

Na Escola SESI Reitor Miguel Calmon, o projeto que conquistou uma vaga na 18ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace) foi o Sistema de Monitoramento do Tempo (SMOT): Mapeando Áreas de Vulnerabilidade em Encostas no bairro de Bom Juá, Salvador-Ba. Três estudantes desenvolveram o projeto ao longo de 2019, quando estavam cursando o 3º ano do ensino médio: Aizile Santos de Jesus, Anne Meire Ribeiro Cardoso Santos e Cecília Damasceno Dos Santos Rego.  

 

Anne e Cecília contaram com uma bolsa de estudos do CNPQ para se dedicar à pesquisa. Já Aizile participou do projeto como pesquisadora voluntária. As três, segundo o professor Anderson dos Santos Rodrigues, acreditaram no projeto e conseguiram a vaga na Febrace. 

 

As estudantes competiram com três mil projetos inscritos na seletiva e conquistar a vaga teve um significado especial, como observa o professor Anderson. “Fazer ciências na área de humanas é um desafio grande porque, além de produzir conhecimento, o grande objetivo é fazer com que a sociedade, que no caso é a comunidade do Bom Juá, participe e se crie um elo com a comunidade e com as entidades competentes, e isso estamos conseguindo”, comemora o professor, que está em contato com a Codesal para a troca de informações, de forma a contribuir para o monitoramento do clima da cidade.  

 

 

O professor explica que o projeto de pesquisa que ele coordena na escola trabalha em duas frentes: o monitoramento do tempo e o mapeamento de encostas. Para isso, foi construída na escola uma antena que se comunica de forma analógica com quatro satélites meteorológicos de acesso livre à sociedade civil: NOAA15, NOAA18 e NOAA19, americanos, e o russo METEOR-M2. A partir das imagens captadas, os dados analógicos são convertidos em dados e os mapas são usados nos estudos de mapeamento e monitoramento.  

 

MONITORAMENTO METEOROLÓGICO 

Na prática, os satélites escaneiam a cidade e mandam sinais por ondas de rádio. Por meio de uma antena, o sinal de rádio é captado dos satélites e se transforma em imagem. “Conseguimos fazer a nossa própria previsão do tempo e conseguimos identificar quais partes do Bom Juá estão mais vulneráveis a deslizamentos e encharcamento (saturação) do solo”, explica o professor. 

 

O Bom Juá foi escolhido por ser o bairro de Salvador com mais encostas em risco e que também registra os maiores índices de chuva na nossa cidade, da mesma forma que o Retiro, Fazenda Grande do Retiro e IAPI. Além disso, está próximo da localidade onde a Escola SESI Reitor Miguel Calmon está inserida. Para conquistar uma vaga e poder representar a escola na Febrace, foram seis meses de pesquisa. Mas o projeto começou em 2017, nas oficinas tecnológicas que a escola desenvolve com os alunos, e foi crescendo. Atualmente, está caminhado para uma parceria com a Codesal para a troca de informações sobre o clima de Salvador. “Recebemos a visita de técnicos da Codesal na semana passada e esta cooperação vai ser muito boa para o nosso projeto e principalmente para o órgão municipal”, comemora o professor, lembrando que o projeto Sistema de Monitoramento do Tempo (SMOT) é na verdade uma estação meteorológica completa. 

 

“Fazemos a nossa própria previsão do tempo, mapeamento e estamos agora desenvolvendo a etapa de comunicação com a comunidade para fazer alertas. Para isso, vamos usar o Instagram e um site que ainda estamos construindo”, complementa o professor. A expectativa do grupo SMOT da escola é se tornar um hotpotou seja, um ponto de referência para os órgãos oficiais para fornecimento de dados. A perspectiva do grupo de pesquisa é trabalhar para assegurar a automação da estação. Anderson lembra que o grupo de pesquisa é um processo evolutivo, que visa expandir o monitoramento para outros bairros.  

 

EXPERIÊNCIA ÚNICA 

Fazer parte do programa de iniciação científica da Escola SESI foi para Anne Meire Cardoso Santos, 17 anos, uma oportunidade de crescimento, como estudante e como pessoa. “Sensibilizou meu olhar sobre a realidade de outras pessoas bem próximas de mim. Me fez sair da zona de conforto”, conta a estudante. Em relação à Febrace, o fato de ter sido selecionada foi uma festa, após uma maratona de estudos visando o evento científico. Mas o que ela achou mais interessante foi o aprendizado que ela vai levar para a vida. “A Febrace disponibiliza normas de comportamento para as apresentações, limitando trejeitos, vocábulos, então, pra vida acadêmica, visando nosso futuro, está sendo um aprendizado muito grande”, complementa. 

 

A diretora da escola, Eleonice Caldas lembra que o grande desafio em educação é fazer com que o jovem vivencie o conteúdo ensinado em sala de aula no seu dia a dia, na sua rotina. “E neste projeto, estamos falando de uma comunidade e de pessoas que vivem em áreas vulneráveis. Quando a gente traz esta relevância para a comunidade os alunos se sentem incluídos na didática. E para quem ensina isso é tudo: tem que problematizar trazendo conteúdo para nossa vida”, acrescenta a educadora. 

 

As estudantes que vão representar a escola na Febrace concluíram o 3º ano em 2019, mas continuam trabalhando para formar seus sucessores. Atualmente, há dois alunos seguindo os passos de Aizile, Anne Meire e Cecilia: Amanda Lins, aluna do 3º ano do ensino médio, que passou na seleção e conseguiu bolsa de iniciação científica júnior do CNPQ e Felipe Nazário, aluno do 2º ano. De olho no edital de bolsas que o próprio SESI vai oferecer aos seus estudantes, Anderson acredita que poderá mais na frente ganhar reforços na equipe de jovens pesquisadores.